Hoje quem vai falar é muito mais a Michele leitora que a
(que tenta ser) escritora. Novamente (e é triste ter que deixar isso claro toda
vez), a ideia não é proibir ninguém de fazer o que quer que seja, apenas
aconselhar.
Mas conforme vocês forem avançando na leitura, vão perceber
que qualquer autor que queira ser levado minimamente a sério deveria passar
longe dessas atitudes e buscar corrigi-las, caso as cometa.
E sem mais rodeios, vamos à listinha.
# Não saber o básico de gramática e ortografia
Como já havia dito em outro post, não é necessário saber
tudo e dúvidas nós todos temos, mas a língua é a ferramenta de trabalho de um
escritor. Imaginar que é possível ser escritor sem diferenciar "mais"
de "mas" ou saber que início de frase e nome próprio têm letra
maiúscula é como alguém achar que será um bom cirurgião sem saber sequer
manejar um bisturi.
É o básico. Você tem que saber. E se não sabe,
estude. Não faz mal nenhum, pelo contrário.
Mesmo que o autor em questão não queira ser profissional,
saber se expressar é pré-requisito para ser bem entendido, portanto deve ser
meta de todos buscar aprimorar seus conhecimentos nessa área.
Isso que só falei da questão mais técnica. Se eu for citar
gente que não sabe sequer a diferença entre prólogo e epílogo, as diferenças
entre primeira ou terceira pessoa e afins, a gente não sai desse tópico.
# Fazer propaganda em todo e qualquer lugar
Essa é um clássico, principalmente em redes sociais. A
pessoa não se dá ao trabalho de descobrir que você só lê fantasia e te enche o
saco para ler o romance aos moldes dos livros de banca dela.
Ou você está conversando com seu amigo sobre uma série de TV
de comédia e a pessoa cai de paraquedas anunciando o mais novo livro de terror.
Custa saber quem é seu público-alvo ou se é um lugar
propício para a divulgação? Depois a pessoa vai sair choramingando por aí que
ninguém dá bola para os livros dela...
# Não pesquisar (seja nomes, ambientações, épocas etc.)
Eu, particularmente, sou contra essa de ser
"obrigada" a escrever no Brasil só porque moro aqui. Isso pode abrir
um precedente chato para só escrevermos sobre a época em que vivemos ou só
sobre as profissões que temos. Acredito que você pode escrever sobre qualquer
lugar, tempo e o que for, desde que seja bem-feito.
Aí é que entra a importância da pesquisa.
Quer escrever uma história se ambientando no Japão feudal?
Beleza, mas pesquise (e pesquise bem).
Infelizmente o que mais temos por aí é gente que pega
qualquer explicaçãozinha superficial (Wikipedia é só uma introdução, pessoas,
para conhecer o básico e ter um norte nas pesquisas) e acha que isso resolve o
problema.
Se bem que tem gente que não se dá o trabalho sequer de ir
atrás de nomes de personagens...
# Querer tudo pronto
"Pessoal, como posso descrever minha personagem fazendo
X coisa".
"Galerinha, resume pra mim as regras de pontuação".
"Que nome posso colocar no meu personagem?".
Sério, isso é muito irritante.
Quer saber como descrever tal coisa? Saber como é X em Y
lugar? Quer nome de personagem? Pesquisa!
Alguém vê um advogado chegar em um grupo só de advogados:
"pessoal, resume pra mim como faz uma procuração rapidinho" ou
um engenheiro: "pessoal, como eu posso construir esse prédio"?
E se visse, levaria esse tipo de "profissional" a
sério? Faria algum procedimento ou deixaria alguém que você gosta com um médico-cirurgião
que fizesse algo parecido, que mal sabe como manejar um bisturi e precisasse de
um desconhecido do Facebook para cumprir algo básico de seu trabalho?
Pois é, ferramentas de pesquisa devem ser aliadas de um
escritor. Não dá para eu escrever sobre algo que não sei e sequer me motivo
a pesquisar a respeito e acho mais fácil me contentar com informações
resumidinhas por alguém que eu nem sei se é da área. Se a pessoa não consegue
pensar sozinha sequer em um nome para personagem não posso crer que vai se
dedicar a construir um bom enredo.
E, de novo, mesmo que você não queira ser profissional, já
aviso que até campeonatos de esportistas amadores têm regras que precisam ser
seguidas, então já deu de usar o desinteresse em se profissionalizar como
desculpa para preguiça.
# Não saber lidar com elogios e críticas
Apesar do item 2 costumeiramente me irritar mais, coloquei
esse em primeiro porque a longo prazo você pode destruir sua carreira
como escritor assim. Sério. Não é exagero cômico (ou raivoso rs).
Saber receber elogios diz respeito a perceber quando eles
são realmente sinceros e não deixar o ego crescer demais com eles. Mantenha os
pés no chão e mesmo que seja essa Coca-Cola toda, seja sempre respeitoso com
seus leitores e com seus colegas de profissão. Simpatia e cordialidade são
muito importantes.
Já lidar com críticas é separar o pessoal do profissional, é
ter humildade para reconhecer quando errar e trabalhar para corrigir isso em
futuros trabalhos. Mantenha a educação sempre, mesmo que tenha sido uma crítica
pesada. Não é porque a outra pessoa baixou o nível que você precisa fazer isso
(aliás, não deve).
Em resumo: observe suas qualidades e defeitos, tenha isso em
mente e trabalhe para mudar o que puder. Quando você se torna arrogante por se
achar perfeito, trata críticos como escritores frustrados, ignora qualquer
comentário negativo e/ou ataca as pessoas que não gostaram do que você fez,
pode cantar "é só isso, não tem mais jeito, acabou". E boa sorte na
nova profissão.
Tem mais algum que irrite vocês? Trocaria algum? Despeje sua raiva aí nos
comentários, quem sabe alguém lê isso e muda de atitude. Sei que é otimismo,
mas vai que...
Até a próxima.
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